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TDAH em Adultos: Quando a Atenção Precisa de Acolhimento e Ação

  • DLR Saúde Mental e Cognitiva
  • 9 de nov.
  • 4 min de leitura

Você tem percebido uma inquietude constante, dificuldade em manter o foco, procrastinação que parece nunca acabar, sensação de que “não conseguir acompanhar” e já ouviu que talvez “isso seja só preguiça”? Pode ser — e muitas vezes é — o TDAH em adultos.Esse transtorno vai muito além de esquecer compromissos ou dispersar em reuniões: ele impacta a vida pessoal, profissional e emocional. E a avaliação neuropsicológica surge como ferramenta crucial para compreender comofunciona o seu cérebro, não apenas o que ele parece não conseguir fazer.

O que é o TDAH em adultos

O TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) inicia-se geralmente na infância, mas em muitos casos persiste até a vida adulta — ou é reconhecido somente no adulto. Estudos indicam que adultos com TDAH podem apresentar, em comparação a controles saudáveis, déficits amplos em atenção, velocidade de processamento, função executiva (principalmente memória de trabalho e inibição), memória verbal, habilidades de leitura, cognição social e aritmética. Do ponto de vista neurobiológico, o TDAH em adultos está associado a disfunções em redes de atenção, execução, recompensa e conectividade cerebral alterada — não se trata de um “erro de caráter”, mas de padrões cerebrais que merecem atenção.

Em uma revisão meta-analítica sobre controle inibitório em adultos com TDAH, verificou-se que testes de “stop-signal” revelaram deficit médio de tamanho moderado em comparação a controles.

Como o TDAH se manifesta em adultos e por que isso importa

Alguns sinais típicos (mas não exclusivos) de TDAH em adultos incluem:

  • Dificuldade em manter atenção em tarefas monótonas ou longas;

  • Alta variabilidade no desempenho (às vezes vai bem, outras, desastroso) — confirmada pela neuropsicologia.

  • Impulsividade: agir antes de pensar, comprar por impulso, mudar de ideia com frequência;

  • Agitação interna ou sensação de “estar sempre ligado” apesar de parecer calmo externamente;

  • Dificuldade em seguir rotinas, priorizar, completar tarefas no prazo;

  • Problemas no trabalho ou estudo: frequência de trocas de emprego, rendimento abaixo do potencial;

  • Impacto emocional: frustração, culpa, autoestima abalada — pois muitos adultos com TDAH vivem anos sem diagnóstico e sentem-se “menos” por compararem com os outros.

É importante frisar: o TDAH não é apenas “ser distraído”. Ele gera impairments funcionais, ou seja, interfere no funcionamento diário. Por exemplo, em um estudo sueco, adultos com TDAH com déficits executivos mostraram pior desempenho escolar, situação ocupacional comprometida e mais envolvimento com a justiça.

Quando e por que buscar uma avaliação neuropsicológica

Se você se reconhece em várias das descrições acima, agendar uma avaliação com neuropsicólogo pode ser um passo transformador. A avaliação neuropsicológica do TDAH em adultos tem como objetivos:

  • Mapear quais domínios cognitivos estão comprometidos (atenção sustentada, inibição, memória de trabalho, velocidade de processamento, variabilidade de resposta) — dados importantes, pois a heterogeneidade é a regra no TDAH adulto.

  • Diferenciar o TDAH de outras condições com sintomas semelhantes (depressão, ansiedade, distúrbios do sono, efeitos de drogas/álcool) — o que evita diagnósticos errados ou tardios.

  • Informar intervenções personalizadas: sabendo o que e como está funcionando menos, podemos usar estratégias específicas — e não só “manejar sintomas”.

  • Apoiar a pessoa em compreender a própria neurodiversidade, reduzir a auto-culpa e criar caminhos de adaptação que fazem sentido no seu contexto de vida.

Vale lembrar: nem todo adulto com TDAH apresentará “altos déficits” em todos os testes — alguns têm desempenho dentro da média em muitos domínios. Portanto, o laudo clínico e o contexto de vida são tão importantes quanto os escores.

O que ocorre depois — estratégias, intervenção e suporte

Após a avaliação, o plano geralmente envolve várias frentes:

  • Psychoeducação: entender o que o TDAH significa para você, seus padrões, seus gatilhos e seus pontos fortes também — um estudo recente destaca que a psicoeducação específica para TDAH adulto melhora o envolvimento do paciente e os resultados.

  • Intervenção cognitivo-comportamental ou neuropsicológica: técnicas para melhorar atenção, memória de trabalho, controle da impulsividade, organização e planejamento.

  • Adaptações de rotina e ambiente: dividir tarefas em blocos curtos, usar lembretes visuais, ambiente de trabalho com menos distrações, pausas programadas.

  • Parceria com outros profissionais: psiquiatra (se medicação indicada), terapeuta ocupacional, coach de organização, grupos de apoio.

  • A longo prazo, busca-se não só reduzir os prejuízos, mas potencializar os pontos fortes, reconhecer que possuir TDAH não é “menos”, e sim “diferente” — e que muitos traços que incomodam podem também se transformar em impulsos produtivos se bem canalizados.

Conclusão: transformar “dificuldade” em caminho de autoconhecimento

Se você está cansado de sentir que “não está à altura”, que “sempre falta algo”, que “nenhuma técnica funciona”, saiba que talvez o TDAH em adultos esteja por trás — e isso não é falha moral ou “não querer bastante”. É uma condição que pode — e deve — ser compreendida, acolhida e trabalhada.

Ao buscar uma avaliação neuropsicológica você está dizendo: “Quero entender meu cérebro, quero me conhecer, quero agir”. E isso é um ato de coragem, cuidado e inteligência.Se identifica com o que leu? Agende uma conversa com um neuropsicólogo ou psicólogo que atue com adultos e transtornos do neurodesenvolvimento. Entender é o primeiro passo para transformar — e viver com mais clareza, foco e leveza.

Referências

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