Depressão em Adultos
- DLR Saúde Mental e Cognitiva
- 9 de nov.
- 4 min de leitura
Você já se sentiu tomado por uma tristeza profunda, uma sensação de vazio ou um cansaço que parece não passar? Quando a vida perde o brilho, o corpo e a mente gritam por ajuda. A depressão em adultos vai muito além de “estar triste”. Trata-se de um transtorno psicológico e neurobiológico que afeta o humor, a cognição, o sono, o apetite e até mesmo a percepção de si e do mundo.
Reconhecer os sinais e buscar avaliação psicológica é um passo essencial para o autocuidado e a recuperação emocional.
O que é depressão em adultos?
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2022), a depressão maior é caracterizada por um humor persistentemente deprimido, perda de interesse ou prazer nas atividades, alterações de sono e apetite, fadiga, dificuldade de concentração e sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva.
A prevalência anual do transtorno depressivo em adultos é estimada entre 3% e 11% da população mundial (SCOLIL-BRASIL, 2009). Além disso, a depressão apresenta curso crônico e recorrente, gerando prejuízos significativos no trabalho, nas relações e na qualidade de vida (BRUM; BARROS, 2023).
Sinais e sintomas da depressão
Os sintomas da depressão variam de pessoa para pessoa, mas costumam incluir:
Humor deprimido, tristeza profunda ou sensação de vazio;
Perda de interesse ou prazer em atividades cotidianas;
Alterações de sono (insônia ou hipersonia);
Fadiga e lentidão psicomotora;
Dificuldade de concentração;
Sentimentos de culpa ou inutilidade;
Dores físicas sem causa médica aparente;
Pensamentos de morte ou ideação suicida.
De acordo com o Ministério da Saúde (INSTITUTO DE AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIA EM SAÚDE; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022a), a presença desses sintomas por duas semanas ou mais já justifica uma avaliação psicológica ou psiquiátrica especializada.
Causas e fatores de risco
A depressão é multifatorial — envolve fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais. A presença de histórico familiar, doenças crônicas, traumas, perdas significativas e estresse contínuo aumenta o risco (INSTITUTO DE AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIA EM SAÚDE; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022b).
Estudos recentes indicam que pessoas com dor crônica apresentam risco até 40% maior de desenvolver depressão(ARAÚJO, 2025). Além disso, há alterações em circuitos cerebrais ligados à regulação emocional, como córtex pré-frontal, amígdala e hipocampo, evidenciadas por neuroimagem funcional (BRUM; BARROS, 2023).
A importância da avaliação psicológica e neuropsicológica
A avaliação neuropsicológica tem papel fundamental na compreensão do funcionamento global do indivíduo com depressão. Ela permite identificar impactos cognitivos, como lentificação mental, dificuldades de memória e atenção, e prejuízos nas funções executivas — elementos comuns na depressão maior (SCOLIL-BRASIL, 2009).
Além disso, auxilia na diferenciação entre depressão, transtorno bipolar e sintomas decorrentes de outras doenças médicas, garantindo um diagnóstico mais preciso e um plano terapêutico personalizado (INSTITUTO DE AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIA EM SAÚDE; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022b).
Tratamento: caminhos possíveis para a recuperação
O tratamento da depressão em adultos deve ser integrado, unindo psicoterapia, farmacoterapia (quando indicada) e mudanças no estilo de vida.
Conforme as Diretrizes da Associação Médica Brasileira (SCOLIL-BRASIL, 2009), episódios leves podem responder apenas à psicoterapia, enquanto casos moderados a graves costumam exigir a combinação de psicoterapia e antidepressivos.
Estudos também mostram que atividade física regular — como caminhadas diárias — pode reduzir significativamente o risco de depressão (ARAÚJO, 2025).
Após melhora, recomenda-se manter o tratamento por pelo menos seis a nove meses para prevenir recaídas (INSTITUTO DE AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIA EM SAÚDE; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2022b).
O acolhimento como parte do tratamento
A ciência explica as causas e o funcionamento cerebral da depressão, mas é no acolhimento humano que a cura começa. A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender a dor, ressignificar experiências e reconstruir a autoconfiança.
O psicólogo não apenas aplica técnicas baseadas em evidências, mas escuta — com empatia, paciência e presença. Esse vínculo terapêutico é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento (BRUM; BARROS, 2023).
Conclusão: há vida depois da depressão
Buscar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. A depressão é tratável e a recuperação é possível. Com acompanhamento adequado, suporte familiar e comprometimento pessoal, é possível retomar o prazer, o sentido e o brilho da vida.
Se você ou alguém próximo enfrenta esses sintomas, procure um psicólogo. Permita-se cuidar, reconstruir e recomeçar.
Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2022.
ARAÚJO, Timóteo Leandro de. Contagem diária de passos e depressão em adultos: uma revisão sistemática e meta-análise. CEV – Atividade Física e Envelhecimento, 2025.
BRUM, Evanisa Helena; BARROS, Bruno Gustavo. Panorama atual da depressão: prevalência, diagnóstico e tratamento. Revista Psicologia & Saberes, v. 7, n. 9, p. 1-12, 2023. DOI: 10.3333/ps.v7i9.825.
INSTITUTO DE AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIA EM SAÚDE; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ficha técnica – depressão no adulto. Brasília: Ministério da Saúde, 2022a.
INSTITUTO DE AVALIAÇÃO DE TECNOLOGIA EM SAÚDE; MINISTÉRIO DA SAÚDE. Planejamento terapêutico – depressão no adulto. Brasília: Ministério da Saúde, 2022b.
SCOLIL-BRASIL. Revisão das Diretrizes da Associação Médica Brasileira para o Tratamento da Depressão. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 31, supl. 1, p. S7-S17, 2009. DOI: 10.1590/S1516-44462009000500003.

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